O ser e o que eu quero ser

Num debate, ouvi que podemos pensar que tanto o amor quanto a paixão compartilham de irracionalidades. De um lado, a paixão suspende temporariamente o nosso juízo, enquanto o amor, apesar de sereno, não apresenta razão. Ele é o que é.

E ser o que se é não é exatamente o que buscamos?

Muito além daquilo que, deploravelmente, tentam nos ensinar sobre seguir nosso caminho e construir um futuro, há uma busca inerente ao nosso ser: está é o próprio ‘ser’. Ainda que este represente ser parte de outro, ser aceito pelo próximo ou ser um ente de uma mistura heterogênea que visa a homogeneidade total ou parcial, é o ser que parece originar esse processo. Pelo qual, confusos estamos.

A resposta à pergunta “Quem é você?” ou ainda “Defina quem você é”, faz emanar a dúvida mais cruel do ser: o quê, ou quem, sou eu? O que quero e o que devo ser?

Sou levado a acreditar que todos se deparam com essa questão um dia. Nem que seja numa entrevista de emprego ou numa simples pergunta de um contato desconhecido do whats app.

Quase que roboticamente, falamos nosso nome, idade, explanamos sobre nossa profissão, atividades, dotes intelectuais, sociais, físicos ou emocionais e, talvez, pretensões futuras de médio e longo prazo. E cabe novamente uma leve variação da pergunta: esse é você?

Certamente, o único que pode responder a essa questão é aquele que a internaliza e a torna parte intrínseca do seu desenvolvimento. Isto é, é algo seu. É particular. Do latim particularis, refere-se à pequena parte que, no caso, é sua. E tu podes pensar, de maneira assustadoramente negativa, “por que pequena? ” e eu, então, lhe direi em primeira mão para olhar o universo e ver quão pequenos somos diante de tudo que há. Logo após, de uma maneira mais poética -talvez, que essa resposta é sua e de mais ninguém.

Ora, mas isso não seria como não responder? Pelo contrário. Pois o reflexo do entendimento do seu ser é e será captado intencionalmente ou não por aqueles que te cercam. Por isso, a publicidade sobre quem ou que você é deve ser muito bem auditada. Afinal, existem outros entes que não apenas podem marginalizar o seu ser como lhe apequenar. E agora sim temos um sentido ruim relacionado ao pequeno.

Porém, se esse texto te fez pensar ainda que um pouco sobre quem realmente você é, gostaria de finalizar com um pensamento curto, mas não pequeno – num outro sentido do que Cortella costuma falar ao parafrasear Mário Quintana, sobre a vida ser curta mas não pequena.

Por trás dos milhares de adjetivos que Deus recebeu através da Bíblia e das culturas judaico-cristãs, vejo duas definições que me chamam muito a atenção e remetem ao início desse texto.

A primeira, quando João afirma que quem não conhece o amor não conhece a Deus, porque Ele é amor. Logo, entendo que Deus não tem amor, não sente amor. Ele é o amor.

A segunda, que Deus, ao ser questionado por Moisés sobre qual era seu nome, simplesmente respondeu: Eu sou o que sou.

Pois, se o grande, todo poderoso, onipresente e onisciente Deus, detentor dos maiores adjetivos possíveis, conseguiu definir a si próprio de maneira tão sucinta, por que nós temos de ser currículos ambulantes?

Se o amor e Deus são o que são, por serem e sem razões aparentes, passo a me perguntar nossa busca de razões para ser apenas nos direcionam e transformam ou nos impedem de sermos quem somos? Quem sabe? Não creio haver uma fórmula universal.

Então, fica a nós o desafio e provocação da velha - e sempre atual - frase shakespeariana: ser ou não ser, eis a questão.

Gostou do texto? Comente, compartilhe, filosofe a respeito ;)

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